COMO  FUNCIONA  UM  POÇO

Quando iniciamos o bombeamento de um poço, ocorre nas imediações deste o rebaixamento do nível da água, criando um gradiente hidráulico (uma diferença de pressão) entre este local e suas vizinhanças. Este gradiente provoca a vinda contínua de água do aquífero em direção ao poço, enquanto estiver sendo processado o bombeamento. Se o bombeamento parar, o nível d’água retorna ao nível original (recuperação), e para de fluir. O nível em que se encontra a água dentro do poço quando este está sendo bombeado chamamos de nível dinâmico.

O rebaixamento do nível d’água possui a forma cônica, tendo como eixo o próprio poço. A formação deste cone responde à necessidade da água fluir em direção ao poço para repor a que está sendo extraída. Nos aquíferos isotrópicos, a água chegará todos os lados com a mesma velocidade, dando origem a uma superfície cônica relativamente simétrica. Se o aquífero for anisotrópico, este contorno será alongado segundo a direção da velocidade de menor do fluxo de água.

A forma do cone de depressão dependerá dos seguintes fatores:

1- Do volume de água que está sendo bombeado: um mesmo poço apresentará cones de tamanhos diferentes em função do volume de água que está sendo extraída. Volume maior implica em maior rebaixamento do nível da água dentro do poço.

2- Da permeabilidade do aquífero: esta determinará a velocidade com que a água se movimenta para o poço. Quando a permeabilidade é grande, maiores volumes de água chegarão ao poço em menos tempo, provocando um cone menos profundo. Se a permeabilidade do aquífero for pequena, o cone terá um rebaixamento muito pronunciado. 

O cone de depressão se expandirá até que seja capturada uma quantidade de água que iguale ao volume que está sendo extraído pelo bombeamento. Esta água capturada poderá ser: água de cursos superficiais ou de mares e lagos; água da chuva ou águas de camadas superiores separadas do aquífero por camadas semiconfinantes, no caso de aquíferos artesianos. Quando a quantidade de água capturada pelo cone de depressão se iguala ao volume que está sendo extraído, dizemos que o poço está sendo operado em condições de equilíbrio. 

Figura: Poço perfurado em aquífero com boa permeabilidade.

Obs: Notar que o cone de depressão tem pequeno rebaixamento.

 

 

Figura: Poço perfurado em aquífero de baixa permeabilidade

Obs: Notar o cone de depressão profundo

Quando o cone de depressão atinge uma massa de água superficial, se esta não estiver hidraulicamente isolada, haverá o início ou o aumento da infiltração destas águas em direção ao poço. Poços próximos a fontes de águas poluídas estão seriamente sujeitos a produzir água contaminada. Um caso muito comum é a interceptação de água de fossas e sumidouros sanitários ou de vazamentos de redes de esgoto. Mesmo uma fossa situada a jusante do poço poderá contaminá-lo, pois com o bombeamento ocorre uma inversão do fluxo subterrâneo.

Uma vez terminado o poço, faz-se análise de sua água. No entanto, após um certo tempo de bombeamento intenso, este poço poderá começar a produzir água contaminada em virtude do acima exposto, isto é, pela captura de água poluída. Daí a necessidade de se manter uma permanente vigilância sobre a qualidade da água produzida. Vigilância que deverá se dar não somente na qualidade bacteriológica, mas também na sua qualidade química, pois às vezes o aquífero é capaz de filtrar as bactérias, mas não os produtos químicos indesejáveis como os compostos de nitrogênio, detergentes, arsênio, entre outros. A presença de nitritos e nitratos em uma água subterrânea pode ser indício de contaminação por dejetos humanos e animais

Veja também o Dicionário Livre de Geociências