ÁGUAS MINERAIS

Águas minerais são aquelas que por sua composição química ou características físico-químicas são consideradas benéficas à saúde. A rigor, toda água natural, por mais pura que seja, tem um certo conteúdo de sais. As águas subterrâneas são especialmente enriquecidas em sais retirados das rochas e sedimentos por onde percolaram muito vagarosamente.

Durante muito tempo acreditou-se que as águas minerais tinham uma origem diferente da água subterrânea. Sabe-se hoje, contudo, que ambas têm a mesma origem: são águas de superfície que se infiltraram no subsolo. As águas minerais são aquelas que conseguiram atingir profundidades maiores e que, por isto, se enriqueceram em sais, adquirindo novas características físico-químicas, como, por exemplo, pH mais alcalino e temperatura maior.

Para que a água atinja grandes profundidades é necessário que encontre descontinuidades nas rochas, como fraturamentos e falhas geológicas. Sua temperatura será tanto maior quanto maior for a profundidade, devido ao gradiente geotérmico local. Seu conteúdo em sais guarda uma relação direta com o calor, pois a capacidade de dissolver minerais e incorporar solutos aumenta com a temperatura.

Admite-se que uma parte muito pequena das águas minerais sejam provenientes de atividades magmáticas na crosta terrestre. Isto ocorre nas áreas com atividade vulcânica atual ou recente.

No Brasil, a maior parte das ocorrências de águas mineralizadas se dá na forma de fontes naturais.

Hoje, com o avanço da tecnologia de perfuração de poços profundos, pode-se prever que esta passará a ser a forma predominante de captação. As vantagens da captação através de poços são muitas: Produção segundo a demanda; controle mais barato e efetivo da qualidade bacteriológica da água; captação mais profunda e longe da influência das águas rasas, mais recentes e menos mineralizadas.

CLASSIFICAÇÃO DAS ÁGUAS MINERAIS NATURAIS

Segundo o Código de Águas do Brasil (decreto-lei 7.841, de 8/08/45), em seu artigo 1°, águas minerais naturais "são aquelas provenientes de fontes naturais ou de fontes artificialmente captadas que possuam composição química ou propriedades físicas ou físico-químicas distintas das  águas comuns, com características que lhes confiram uma ação medicamentosa".

Neste código as águas minerais naturais são classificadas segundo suas características permanentes e segundo as características inerentes às fontes.

1- CARACTERÍSTICAS PERMANENTES

Quanto à composição química, as águas minerais naturais são assim classificadas:

I- Oligominerais: aquelas que contêm diversos tipos de sais, todos em baixa concentração.

II- Radíferas: quando contêm substâncias radioativas dissolvidas, que lhes atribuam radioatividade permanente.

III- Alcalina-bicarbonatadas: as que contêm, por litro, uma quantidade de compostos alcalinos equivalentes a, no mínimo, a 0,200g de bicarbonato de sódio.

IV- Alcalino-terrosas: as que contêm, por litro, uma quantidade de alcalinos terrosos equivalentes a, no mínimo, 0,120g de carbonato de cálcio, distinguindo-se:

IVa- Alcalino-terrosas cálcicas: as que contêm, por litro, no mínimo, 0,048g de cátion Ca, sob a forma de bicarbonato de cálcio.

IV.b- Alcalino-terrosas magnesianas: as que contêm, por litro, no mínimo, 0,030g de cátion Mg, sob a forma de bicarbonato de magnésio.

V- Sulfatadas: as que contêm, por litro, no mínimo, 0,100g do ânion SO4, combinado aos cátion Na, K e Mg.

VI- Sulfurosas: as que contêm, no mínimo, 0,001g do ânion S.

VII-Nitratadas: as que contêm, por litro, no mínimo, 0,100g de ânion NO3 de origem mineral.

VIII- Cloretadas: as que contêm, por litro, no mínimo, 0,500g de NaCl.

IX- Ferruginosas: as que contêm, por litro, no mínimo. 0,005g de cátion Fe.

X- Radioativas: as que contêm radônio em dissolução, obedecendo aos seguintes limites:

Xa- Fracamente Radioativas: as que apresentam, no mínimo, um teor em radônio compreendido entre 5 e 10 unidades Mache, por litro, a 20°C e 760mm de Hg de pressão;

Xb- Radioativas: as que apresentam um teor em radônio compreendido entre 10 e 50 unidades Mache por litro, a 20° C e 760mm de Hg de pressão;

Xc- Fortemente Radioativas: as que possuírem um teor em radônio superior a 50 unidades Mache, por litro, a 20°C e 760mm de Hg de pressão.

XI- Toriativas: as que possuem, por litro, no mínimo, um teor em torônio em dissolução equivalente, em unidades eletrostáticas, a 2 unidades Mache.

XII- Carbogasosas: as que contêm, por litro, 200ml de gás carbônico livre dissolvido, a 20°C e 760mm de Hg de pressão.

2-CARACTERÍSTICAS DAS FONTES:

As fontes de água mineral são classificadas segundo os gases presentes e segundo a temperatura:

2.1- Quanto aos gases:

I- Fontes radioativas:

Ia- Fracamente Radioativas: as que apresentam, no mínimo, uma vazão gasosa de 1 litro por minuto com um teor em radônio compreendido entre 5 e 10 unidades Mache, por litro de gás espontâneo, a 20°C e 760mm de Hg de pressão;

Ib- Radioativas: as que apresentam, no mínimo, uma vazão gasosa de 1 litro por minuto, com um teor compreendido entre 10 e 50 unidades Mache, por litro de gás espontâneo, a 20°C e 760mm de Hg de pressão;

Ic- Fortemente Radioativas: as que apresentam, no mínimo, uma vazão gasosa de 1 litro por minuto, com teor em radônio superior a 50 unidades Mache, por litro de gás espontâneo, a 20°C e 760mm de Hg de pressão.

II- Fontes Toriativas: as que apresentam, no mínimo, uma vazão gasosa de 1 litro por minuto, com um teor em torônio, na fonte, equivalente, em unidades eletrostáticas, a 2 unidades Mache por litro.

III- Fontes Sulfurosas: as que possuírem, na fonte, desprendimento definido de gás sulfídrico.

2.2- Quanto à temperatura:

I- Fontes frias: quando sua temperatura for inferior a 25°C;

II- Fontes hipotermais: quando sua temperatura estiver compreendida entre 25 e 33°C;

III- Fontes mesotermais: quando sua temperatura estiver compreendida entre 33 e 36°C;

IV- Fontes isotermais: quando sua temperatura estiver compreendida entre 36 e 38°C.

PANORAMA ECONÔMICO DAS ÁGUAS MINERAIS NO BRASIL

O mercado brasileiro de águas minerais naturais tem mantido um crescimento contínuo nos últimos cinco anos. A produção passou de 1,552 bilhão de litros em 1995 para 3,005 bilhões em 1999.

O consumo per/capita dos brasileiros passou de 15,13 litros/ano em 98 para 17,67 litros/ano em 99. Era de 9,8 litros/ano em 1995. A principal forma de comercialização é através de garrafões de 20 litros, distribuídos em empresas e residências, que são responsáveis por quase 60% do consumo nacional.

Em 1999 o Brasil importou quase 1,4 milhão de litros, correspondentes a US$ 472 mil, procedentes da França (67%), Itália, Trinidad-Tobago, Portugal e Reino Unido. Vale observar, no entanto, que o volume importado em 99 corresponde a apenas 1/3 das importações de 98, que somaram 4,16 milhões de litros.

Em contrapartida, as exportações também caíram, de 962 mil litros em 98 para 779 mil litros no ano passado, que renderam ao país US$ 150 mil. Os compradores foram Paraguai (63%), Bolívia e Uruguai.

A produção e o consumo per capita em 1999 em outros países foram: Estados Unidos, 11 bilhões de litros (consumo per capita/ano de 42,I litros); México, 10,5 bilhões de litros; Itália, 7,8 bilhões (143 litros/ano per capita); Suíça, 7,6 bilhões 84,2 litros per capita); Espanha, 6,1 bilhões (99,6 litros per capita). Outros grandes consumidores são: França, com 117,3 litros/ano per capita; Alemanha, 98,5 litros; Áustria, 71,8; Portugal, 63,9; e Grécia, 36,8 litros/ano.