Uso da Água Subterrânea na Agricultura

 

O uso da água subterrânea na agricultura é norteado pelos seguintes fatores, que são, de certa forma, relacionados entre si:

I- a proporção de sódio com referência ao cálcio e ao magnésio,

II- salinidade total da água,

III- a permeabilidade do solo,

IV- a pluviometria da área,

V- a tolerância do cultivar à salinidade.

 

I- Relação de adsorção de sódio

O sódio presente na água de irrigação pode ser adsorvido pelas argilas levando ao seu endurecimento e impermeabilização. A quantidade de sódio prejudicial é estabelecida em função dos teores conjuntos de Cálcio e Magnésio, pois estes elementos agem no sentido de deslocar o sódio contido no solo, no processo conhecido como troca catiônica.A relação abaixo, desenvolvida pelo Departamento de Agricultura Norte-americano, é usada para determinar o grau de adsorção de sódio pelo solo.

 

Nesta equação os constituintes são expressos em miliequivalentes por litro. SAR é uma expressão inglesa que significa: Sodium Adsortion Ratio, ou Razão de Adsorção de Sódio. Este Departamento propõe a seguinte classificação de risco para as águas:

SAR: <10 = risco baixo; 10 a 18 = risco médio; 18 a 26 = risco forte e >26 = risco muito forte.

Esta relação, apesar de importante, não expressa toda a realidade sobre os possíveis prejuízos causados ao solo, pois águas com alto conteúdo de sais, são prejudiciais, mesmo que a relação SAR seja baixa.

Obs 1 : Miliequivalente por litro (meq/L) é calculado dividindo - se o peso do constituinte em mg/L pelo seu peso equivalente.

Obs 2 :Peso equivalente é calculado dividindo - se o peso molecular do constituinte pela sua valência.

Obs 3 :Transformar os teores dos constituintes de uma água de ppm (mg/L) para meq/L tem as seguintes vantagens:

1- Permite conferir a exatidão da análise, através do balanço iônico. O peso total de cátions deve igualar o total de ânions, ambos em meq/L.

2- Permite saber quais sais formam os íons detectados na análise

 

II- Quanto à salinidade da água

O principio básico para se evitar a salinização de um solo é manter o equilíbrio entre a quantidade de sais que é fornecida ao solo, através da irrigação, com a quantidade de sais que é retirada através da drenagem. Em climas áridos, ou muito ventilados, a evaporação da água enriquece o solo com os solutos, potencializando o perigo da salinização. Da mesma forma, como veremos mais à frente, solos pouco permeáveis tendem a concentrar sais.

Independente da relação de adsorção de sódio, o teor absoluto de sais de uma água é um fator limitante de seu uso na agricultura, em que pese a grande variação de tolerância a sais por parte da vegetação. A salinidade total da água age tanto sobre o solo como sobre as plantas, interferindo em seu processo osmótico. Alguns constituintes isolados, como o Boro, são tóxicos, mesmo em pequenos teores. O Departamento de Agricultura Norte-americano desenvolveu o diagrama abaixo, que estabelece o risco devido à salinidade, em função, basicamente, de dois fatores: o índice SAR e o teor total de sais da água, estimado a partir de sua condutividade elétrica.

As seguintes classes de risco podem ser visualizadas no diagrama abaixo:

Baixo: Não há perigo de salinização do solo, a menos que a permeabilidade seja muito baixa (solos argilosos).

Médio: Para evitar a salinização os solos necessitam de drenagem moderada.

Alto: O solo necessita boa drenagem.

Muito Alto: inútil, a menos que o solo tenha uma drenagem ótima.

Excepcionalmente alto: só utilizáveis em solo com excelente drenagem e para vegetais com ótima tolerância a sais, como as palmeiras.

III- Quanto à permeabilidade do solo

Solos bem drenados permitem a maior lixiviação dos sais, retardando sua salinização. A contrapartida, é que estes sais são levados para as camadas mais profundas, indo acabar nas águas subterrâneas, onde podem se concentrar em níveis bem elevados. Em solos mal drenados os sais tendem a se concentrar nas camadas superiores, ou até mesmo na superfície do terreno, onde se precipitam pela evaporação da água.

IV- Índice pluviométrico

A quantidade de chuva na área age no sentido de diluir os sais e permitir, caso seja um solo bem drenado, sua lixiviação. Em terrenos impermeáveis a água da drenagem superficial levará os sais para a bacia hidrográfica.

V- Tolerância das plantas aos sais

A tolerância dos vegetais à salinidade é extremamente variável, havendo desde os que são absolutamente intolerantes, mesmo a pequenos teores, até vegetais que se desenvolvem bem em ambientes altamente salinizados, como as palmeiras. Pesquisa realizada em Petrolina, pela EMBRAPA, mostram a viabilidade no uso de vegetais muito tolerantes a sais em processos de dessalinização de solos. Tem-se usado para isto a Atriplex nummularia (erva-sal), forrageira originária da Austrália, com alto teor de proteínas e que tem se mostrado capaz de retirar até 1.200 quilos de sal por hectare, a cada ano.

VII- Boro 

O Boro apesar de não ser um constituinte comum nas águas subterrâneas, que possuem teores abaixo de 0,1mg/L, precisa ser levado em consideração quando se trata de água para agricultura, pois em concentrações superiores a 1,0mg/L é tóxico às plantas. 

 

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